O que eu aprendi com o meu primeiro mochilão

Por Marcella Cruz


Por Al_HikesAZ / Flickr
Por Al_HikesAZ / Flickr

Era dia 25 de dezembro de 2007 e eu estava com tudo preparado para a minha primeira viagem internacional. Malas prontas, roupa do voo separada em um cabide e todas as informações sobre a viagem escritas em um papel preso por um imã na geladeira da minha casa.

Eu e meu namorado íamos para Nova Iorque e ficaríamos hospedados na casa de uns amigos, até que fomos surpreendidos, na noite de Natal, de que não teríamos mais um lugar para ficar.

Ao receber a notícia, tentei encontrar uma hospedagem em Nova Iorque, no meio do Natal, que coubesse no meu bolso. Não encontrei, obviamente, e cancelei a minha passagem. O Natal foi um lixo, claro.

Lembrei-me da minha família em Portugal e, a partir daí, convenci a minha mãe a contatá-los e perguntar se eu poderia passar alguns dias hospedada em suas casas. Eles aceitaram, como não poderia deixar de ser, e, no dia 03 de janeiro de 2008, parti - sem saber direito - para a melhor viagem da minha vida.

Na semana anterior à viagem, passei dias e noites na internet pesquisando sobre roteiros e lugares. Para uma pessoa completamente virgem em relação ao assunto, foi uma tarefa e tanto. Depois de muito tempo pesquisando, decidimos por Portugal (várias cidades, já que minha família era de lá), Barcelona, Roma e Paris. Sempre procurando os albergues e passagens com os menores preços.

Além da emoção de conhecer a minha família (que merece um post exclusivo em outro momento), foram 30 dias sentindo um misto de emoções. Euforia, felicidade, libertação, saudade, medo, dúvida. Tudo de uma só vez. Não havia um dia em que não aprendesse algo novo. Desde uma palavra em outra língua, até lições de vida que ficariam para sempre marcadas dentro de mim.

Logo de cara, a primeira lição que eu aprendi foi a de me deixar levar pelas situações. Assim que entrei no metrô de Barcelona, achei que tivesse sido enganada por um dos funcionários. Fiquei um pouco nervosa, pois tinha acabado de chegar na cidade, sentei no chão e chorei. Até que, alguns minutos depois, pensei: e se eu tiver sido enrolada? Que seja assim e, se for assim, que seja uma situação transformada em experiência.

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Por mais amargo que fosse o gosto naquele momento, com o passar dos anos, o gosto amargo daria lugar ao doce prazer de se contar uma história de vida. E deu. Estou aqui lembrando esse momento e demonstrando que ele, na verdade, me fez crescer como ser humano.

Aprendi também que os laços de uma amizade são construídos mais pela intensidade de emoções do que com o tempo. O tempo é relativo. Assim que cheguei ao albergue de Barcelona, conheci pessoas que carrego na cabeça e no coração até hoje. Por quanto tempo eu convivi com eles? 5 dias. Parece que foram anos.

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Aprendi que barreiras culturais existem somente para quem não está a fim de tentar e não está aberto a novas experiências. A pessoa com quem mais o meu namorado se identificou falava coreano e eles mal se entendiam em inglês, mas marcaram de se encontrar em Roma. Como? O nosso amigo coreano pegou uma papel e uma caneta e 

desenhou as coordenadas do lugar onde estaria hospedado (pois é!).

Receber é o que mais acontece durante uma experiência como essa. Você recebe uma enxurrada de novas experiências, sorrisos, cultura e companheirismo. Faz amigos com a mesma rapidez com que diz adeus para dar lugar ao próximo 

roommate. Aprende a valorizar o pequeno, o simples, exatamente porque não quer (e não pode) perder nenhum momento que a viagem tem a lhe oferecer. Em resumo: é um turbilhão de tudo.

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Até o momento, esses dias foram, sem dúvidas, os mais felizes da minha vida e me sinto feliz pelo simples fato de a vida ter me concedido a oportunidade de ter experimentado experiências incríveis e de ter vivido tão intensamente em um curto espaço de tempo.

Obrigada, Mochilão! Você me fez ser uma pessoa melhor!

E você? Tem alguma história de viagem bacana pra contar? Então...


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Comments: 1
  • #1

    Marcella Cruz (Tuesday, 07 April 2015 12:00)

    Amei, Janela para o Mundo! Estou muito feliz por ter meu texto publicado aqui!