Viajando com quem ronca

Por Rachel Duarte


Imagina a cena: já é de noite e o quarto está na penumbra, iluminado só com uma luz bem fraquinha do abajur. A preguiça está uma companhia ótima de conviver e aproveitar enroscada no edredom quentinho sobre a cama com lençol de toque aveludado e macio. O travesseiro tem a espessura ideal para receber os seus sonhos. O sono vem se aproximando e aquela sensação gostosa de adormecimento vai tomando conta de você... uma delícia esse soninho inebriante. 

 Você fechou seus olhos e alguns minutos depois eles já estão totalmente esbugalhados e espantados. Seu corpo continua estático, se mantém preguiçoso. Seu ouvido fica perdido e transmitindo desespero, sofrimento e angústia para a sua mente e deixando você completamente sem noção de como agir. Você sabe o que está acontecendo? É o abominável ronco alheio chegando para acabar com a sua noite de sossego!

Já passei noites sem dormir direito porque o roncador era profissional e trabalhava com maestria!

É difícil. É incômodo. É ensurdecedor. É enlouquecedor. É sério! 

Dormir em um mesmo ambiente com alguém que ronca com vontade é missão impossível, nem Tom Cruise consegue!

E olha que não faltam truques e estratégias para poder conviver com esses seres, como tentar dormir antes, usar tampões nos ouvidos e procurar outro lugar para finalmente dormir de verdade. 

Uma vez fiz uma Eurotrip com uns amigos: éramos oito pessoas, sendo um casal que, obviamente, ficou em um quarto só para eles enquanto o restante de nós seis dividíamos o mesmo quarto nos albergues. Nosso primeiro destino foi Berlin, na Alemanha, e foi uma festa quando todos nos encontramos, era cedo ainda então fomos curtir a cidade. Mas quando chegou a noite e fomos para o quarto todos dormir, eu sabia que no meio de seis pessoas a probabilidade de alguém roncar era bem possível e eu, precavida, levei meus salvadores tampões de ouvido. 

Eu nunca fui de deitar e já dormir. Invejo quem é assim, normalmente, salvo raras exceções, eu rolo para um lado, rolo para outro até finalmente apagar. E nesse dia não foi diferente e, enquanto o sono não vinha, eis que enfurecidamente surge o temível som da madrugada. Um de nós estava  roncando. E roncando com muita propriedade. Muita voracidade! 

Quem já estava dormindo, acordou. Era possível ouvir o barulho das pessoas se mexendo nas beliches. Havia uma única pessoa no quarto que não era do nosso grupo, era uma menina que agora não lembro de onde ela era. Ela dormia na cama debaixo da beliche logo de quem? Eu só vi a hora que ela começou a socar e chutar a cama de cima! Hahaha coitada dela e que vontade de gargalhar que eu senti! A garota estava desesperada! Tratei de tampar meus ouvidos e fui dormir.

No dia seguinte, com exceção do roncador e de mim (obrigada tampões!), todos daquele quarto reclamaram da noite barulhenta que tiveram! 

Depois de algum tempo viajei novamente junto com esse amigo da parte superior da beliche, dessa vez para uma road trip pelo sul dos Estados Unidos. Foram 22 dias conhecendo um monte de lugares legais. 22 dias de roncos. 22 dias de espumas mondáveis enfiadas nos meus ouvidos e isso não foi nada legal. Não mesmo! Depois de um tempo usando esse treco sem parar, os meus canais auditivos começaram a ficar machucados. Então um dia eu resolvi não usar para dar uma aliviada e a minha vontade era de sufocar o meu amigo com o travesseiro e tentar abafar a britadeira. Era impossível dormir! Empurrei as espumas novamente ouvido a dentro para poder ter sossego. Que sofrimento!

Ronco é uma parada que seja rico ou seja pobre, ele sempre vem! Eu convivo com esse ruído desde que nasci. Meu pai tem doutorado nessa atividade. Uma vez estávamos hospedados em um hotel com vários chalés em Rio das Ostras, município que fica na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Eu tinha uns 6 anos de idade e estava brincando com outras crianças na varanda do nosso chalé até o momento em que meu pai alavancou em uma sequência de roncos medonhos-horripilantes que deixou a criançada morrendo de medo. Elas pensaram que havia um monstro dentro da casa! Eu nem tinha chegado na adolescência e meu pai já estava atrapalhando as minhas amizades!

As pessoas costumam dar partida nos motores dos seus chevettes quando estão dormindo com a barriga para cima. Mas como costume não é regra e eu atraio essa pemba, durante uma viagem à Eslovênia eu dividi o quarto com uma amiga que roncava de barriga para baixo. E não pense você que era ronquinho tranquilo de se escutar. Não! Ela roncava muito, muito alto. Assustador! 

E durante o trajeto para algum destino, quando alguém resolve roncar no avião ou no ônibus? Não adianta reclamar com o comissário de bordo e com o motorista, ou você acha mesmo que eles vão acordar o passageiro e falar "querido, pára de roncar que tá atrapalhando"? Não tem o que fazer! A solução é colocar os fones de ouvido e ver um filme ou ouvir alguma música. Uma vez fui para Porto Seguro, na Bahia, de excursão em ônibus. Tinha um cara que roncava a vida ali dentro e sabe onde ele tava sentado? Na minha frente! A viagem do Rio de Janeiro até Porto Seguro durou 1 dia e algumas horas e ele roncou a noite i n t e i r a!! Enquanto eu não dormi n a d a!! 

Eu moro sozinha, não teria problema... na teoria, né? A minha cachorra ronca, mas é baixo e super tranquilo, não me incomoda. Mas eu escuto o estrondo do meu vizinho. É possível isso, gente?! Do. Meu. Vizinho!! É pauta permitida para colocar no livro do condomínio? Tô seriamente pensando em mandar um bilhetinho: 

"Querido vizinho,

Lamento informar, mas você ronca. E ronca muito. Ronca pra caralh*.

Poderia, por gentileza, dar um jeito nesse barulho que incomoda os demais vizinhos? Afinal, o barulho só é permitido até às 22h. 

Se cuida."


Mas eu não sou perfeita, por sinal estou muito bem longe disso, e eu sei que de vez em quando eu ressono (aquela coisa suave) e algumas poucas vezes eu ronco, mas isso acontece quando eu estou muito cansada, exausta, acabada ou quando ultrapasso da cota de álcool. 

E como é ressonar? Aperta o play!

Eu juro que não é assim que eu faço! Hahahaha juro! 

Então galerinha do ronco destruidor dos sonos alheios, se cuida aí e arruma alguma(s) solução(ões) para esse problema! A gente leva na brincadeira mas é sério, não é bom para quem escuta e nem para quem sofre, podendo ter sérias consequências na saúde e nos relacionamentos. Enquanto isso, sigo com os meus tampões nos ouvidos...

Compartilha, deixa a notícia viajar por aí, vai!


Dá uma olhadinha aqui ó:


como-fazer-a-mala-corretamente

Como fazer a mala de viagem corretamente

mulher-viajar-sozinha-dia-internacional

Ser mulher e viajar sozinha

Aniversário, cada ano um novo lugar...